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TÍTULO: CAMPEÃO DA SÉRIE PRATA 2018

03 de Dezembro de 2018 - Série Prata
Foto: Alex Borgmann

Foto: Alex Borgmann

Nem todas as narrativas são lineares. Às vezes, elas começam por meios que justificam seus fins. Ou por fins que antecedem os começos porque não encontram lógica em descrever cronologicamente as histórias que as constituem. A de hoje começa aos onze segundos do último soar do placar eletrônico pela Série Prata 2018. No palco destinado para a decisão do título, o silêncio incrédulo precedeu a explosão de mais de mil vozes. Naquele milésimo de segundo em que os olhos se recusaram a acreditar no que estavam vendo, o deslize da bola no travessão antes de cruzar a linha selou o destino de uma noite histórica para o esporte regional: o gol de Vini Costa dava o título de campeão ao Passo Fundo Futsal.

A conquista foi árdua. Muita transpiração, respiração, inspiração. Do outro lado da quadra, uma adversária à altura na disputa pela taça. A AMF não era a mesma do primeiro jogo. Mais ofensiva, mais proponente, mais ambiciosa. Até o fim, não desistiu da taça dourada. Acreditou tanto que chegou a ensaiar duas vezes o grito libertador da vitória. E, por duas vezes, a equipe passo-fundense arrancou-lhe o verbo da boca. Ainda sob os protestos dos jogadores e da torcida sobre a reprogramação do cronômetro ao derradeiro minuto do jogo, o Passo Fundo Futsal ecoou a plenos pulmões todas as vibrações vocais que foram silenciadas em 2017. O desabafo, ainda travado na garganta, transbordou lágrimas e sorrisos. A emoção invadiu as quatro linhas e os milhares de corações passo-fundenses: a melhor equipe da fase classificatória recusou-se a abandonar o topo mais alto da tabela.

A inércia das redes na etapa inicial foi apenas um despiste. Já no segundo tempo, os pés de Thales Borges não titubearam em frente à meta marauense. A vantagem, somada à vitória na partida anterior, dispensaria a necessidade do tempo extra. Mas não é sobre as regras que as grandes decisões se alicerçam. É sobre exceções, sobre transposição de limites, sobre superação. O tempo regulamentar não foi suficiente. Orquestrada pela atuação monstruosa de Esquerda, um velho conhecido do Passo Fundo Futsal, a AMF chegou ao gol de empate. E não parou por aí: conquistou a vitória no chute certeiro de Pará.

Um resultado positivo para cada lado. Nas arquibancadas, nervos à flor da pele, unhas roídas, mãos unidas em oração, promessas feitas e desfeitas em pensamento. Com a autorização da arbitragem, a bola girou para determinar o início da prorrogação. O gol de Esquerda – segundo dele na noite – sucedeu-se de uma comemoração contida, de respeito ao adversário e ao tempo de jogo que ainda restava. Título do lado de lá. Com a sexta falta marauense, a responsabilidade pela cobrança do tiro livre recaiu sobre os pés do capitão Nuno, que, com a experiência que lhe é peculiar, não desperdiçou. Título de volta para cá. A etapa final do tempo extra, contudo, ainda mudaria o destino da taça duas vezes: a primeira delas quando Esquerda – sim, de novo ele! – recolocou a AMF na briga. A precisão e a frieza do artilheiro da noite assinalava o 2 a 1 no placar, resultado suficiente para garantir a festa do time de Marau. Até o clímax dessa narrativa. Até a esperança inabalada do camisa 10 do Passo Fundo Futsal. Até o gol de empate que provocou arrepios e arritmias. Até o novo campeão da Série Prata ser eleito.

Garantidos na Liga Gaúcha 2019 – a elite do futsal no Estado -, Passo Fundo Futsal e AMF protagonizaram uma final de encher os olhos. Mais que isso: de transbordá-los. De êxtase, de indignação, de felicidade, de tristeza, de emoção. De todas as sensações conflitantes partilhadas na noite de 1º de dezembro de 2018, uma delas foi senso comum: o orgulho de vestir a própria camisa, seja ela estampada com o escudo que for. Cada qual com seu percurso, com suas batalhas internas, com suas feridas lambidas ou já cicatrizadas. Cada qual com a sua versão, cada qual com a sua verdade, cada qual com a sua própria história sobre o clássico que contornou o desfecho desta temporada. Todos, unicamente, apaixonados pelo futsal e, impreterivelmente, ainda mais orgulhosos do lado que ocupam na arquibancada. Porque, em noites assim, a única derrota é não reconhecer o legado do esporte: nunca é só futsal.

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Fonte/Autor: Daniele Freitas Esporte Clube

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