Artigos / Marcio Bariviera

Goleiro de futsal é certo da cabeça?

01 de Outubro de 2018
Goleiro de futsal é certo da cabeça?

Foto: Divulgação

Coitados dos goleiros de futsal.

E antes que eu seja mal interpretado, não estou fazendo nenhum tipo de menosprezo. Cito coitados como uma espécie de dó, tamanho laço que levam em treinos e jogos.

Falando nisso, será que os goleiros de futsal são certos da cabeça? Sim, porque tem que pensar muito bem para escolher essa profissão. Em todo o caso, sendo ou não certos das cacholas, corajosos eles são. E muito.

Eu admiro os goleiros de futsal. E quem não os admira bom sujeito não é. Sério, os caras são bombardeados diariamente, ninguém tem piedade, começando pelos seus preparadores, passando pelos treinos que vêm a seguir e terminando nos jogos. Aliás, a maioria dos preparadores provavelmente foram goleiros e, numa espécie de vingança do bem, devolvem para a atmosfera das quadras o que tanto receberam em suas carreiras. Mais ou menos isso.

O goleiro de futsal sai de casa para o treino sabendo que seu dia – ou sua noite – será de bastante encrenca. Bolada nas pernas, no peito e se não estiver em um dia de sorte, o rosto também serve para tomar uma ou outra pancada. E tem a possibilidade de receber uma visita naquele lugar, aí realmente a sorte pode tê-lo abandonado, mesmo. No fim do treino, com o couro latejando em 50 pontos de seu corpo, ele já está ciente de que amanhã será um novo dia, embora a rotina das boladas continue normais ou piores.

E nem dá para culpar os jogadores de linha que efetuam tais bombardeios. Afinal, eles querem fazer o gol. O último lugar que eles pretendem acertar é no goleiro. Paciência, é o próprio goleiro que se mete na frente. Ossos do ofício. De ambos.

E quando ocorre o tiro livre? Minha expressão seria mais ou menos como aquela caretinha azul e amarela de pavor do WhatsApp. Eu não gostaria de estar em sua pele. No momento do tiro livre o goleiro de futsal já está ciente: ou vai tomar bolada, ou vai sofrer gol. Qualquer escolha não é das melhores. Talvez a bola vá para fora ou bata na trave, mas estatisticamente essas são as menores chances. E nem vamos falar de pênalti, pois já vira quase uma espécie de via de fato. Eu até poderia comentar algo, mas antes precisaria que você tirasse as crianças da sala.

Como citei lá em cima, eu admiro – e muito – os goleiros de futsal. Sempre estarão nas alturas do meu conceito. Sua coragem daria um bom livro de autoajuda. Embora eu insista em perguntar: será que eles são certos da cabeça?

Marcio Bariviera

Colunista do jornal O Alto Uruguai e gerente administrativo do União Frederiquense, ambos de Frederico Westphalen-RS, além de aficionado por futsal. 

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