Artigos / Marcelo Fripp

E aÝ pessoas do bailŃo, tudo na paz!? Tomara que sim, pois eu t˘ de boa...

16 de Maio de 2019

Sabe, fim do mês de março completei mais uma rosa no jardim da existência. Fiquei mais véio. Véio, ranzinza, analítico, mas da paz... muito da paz. 

Aquela história de “um boi pra não entrá e uma tropa pra não saí”, de uma peleia, não faz mais minha cabeça. Cheguei numa fase zen da vida. Em casa, até sentado eu mijo pra não arrumá encrenca com a muié, só pra dá uma ideia do quanto da paz eu ando.
Que legals né, se no futebolismo dos ‘Salão de Baile’ também fosse assim. Se todos os jogadores de todos os times saíssem de casa para a pratica da paz. Se todos os torcedores fossem ao ginásio pra apenas torcer e incentivar!

Seria muito legal mesmo. Porém, no entanto, todavia, eis que, não é bem assim né... 
Mas não é o jogador cabeça quente que arruma uma encrenca em cada jogo o culpado. Não é o torcedor, que por vezes, com os dois pés no balde, joga um copo na quadra ou cospe no goleiro adversário que tá próximo da tela. Essas são algumas salvas exceções que um puxão de orelha e punições cabíveis vão resolver. Há de se condenar sim, todas essas atitudes, no entanto, na minha opinião (e que fique claro, uma análise minha, longe de contextos técnicos), não é este o problema que afeta o nosso futsal, que impede que de grande, ele se torne gigante.

Do que quero fazer referência aqui é algo que afeta muito mais o esporte (assim, como algo genérico) do show business, aquele que você paga para assistir, que tu têm como meio de entretenimento. Não tem nada a ver com esporte profissional, esporte de alto rendimento. Tem a ver com gente ganhando dinheiro.

O que aconteceu nos últimos dias com o time do Parobé vai muito além de dois ou três descontentes com salário atrasado. O que se deu no Vale do Paranhana passa por gestão, ou a falta dela. Não pensem vocês que essa é uma situação exclusiva do Parobé, essa é uma rotina vivida pela grande maioria dos times (e falo aqui em times, porque poucos conseguem se organizar como clubes) que estão disputando competições no Rio Grande do Sul.

O futsal gaúcho ganhou uma proporção gigantesca sem estruturação. Foi muito rápido o crescimento. Tudo consequência do alto custo para manter as faraônicas estruturas do futebol de campo. Assim, muitos municípios perceberam que se poderia viver a mesma emoção de arquibancada com um investimento bem menor e com algo bem mais familiar e comunitário, aí que entrou o futsal em substituição ao futebol.

Temos mais de 100 times de futsal disputando competições pela Liga Gaúcha e pela Federação Gaúcha. E a cada ano novo, novos surgem. E surgem um tanto no grito, na sorte de que podem dar certo mediante a dois ou três bons resultados. 
Se isso é bom para o crescimento “volumétrico” do futsal, por outro lado, percebe-se que não há estrutura de gestão nenhuma. Gente que se taxa dirigente que não entende nem de economia doméstica (tenho salário de 100 e vou ao mercado e gasto 150, não há esse discernimento em muitos dos nossos times) criando, inscrevendo e gerindo times pelo pampa afora.

Há uma eminente urgência de didática de gestão aos nossos times em todo o Rio Grande. Há muito que perdemos o status de melhor futsal do País (não que tenhamos deixado de ser competitivos, pelo contrário, estamos sempre disputando títulos, mas por esse volume todo, ainda somo referência) e isso passa fundamentalmente pela falta do conhecimento em gestão. Precisamos deixar de ser ignorante ao gerirmos nossos times e, aí sim, darmos profissionalismo ao futsal gaúcho.

PS.: quero deixar claro aqui, que fiz referência ao Parobé pela repercussão que tivemos diante da posição do clube, na elite. Porém, quero lembrar que abaixo da primeira divisão, há muito e muitos times e é destes que tenho receio pelo futuro deles e do nosso futsal.
Essa sim é uma peleia que tenho muita vontade de pelear, sem medo de ter que encarar o perigo que tiver do outro lado, nem que a fera diga “hoje tu não vai, hoje tu vai ficar em casa cuidando das crianças”...

#VemComAGente! Upa grande, beijo no coração e que siga o baile, porque o salão é nosso!!!

Marcelo Fripp

Repórter do Grupo Diário da Manhã de Passo Fundo, setorista e apaixonado pelo o futsal. Nascido e criado onde o baile acontece em salão de tabuão e piso bruto.

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