Artigos / Guilhermo Petrucci Verfe

A maior vitória é a evolução do jogo

06 de Dezembro de 2017
A maior vitória é a evolução do jogo

Foto: Divulgação

Após uma serie de artigos que tinham como tema a tomada de decisão no futsal, proponho no material dessa semana uma discussão sobre o porquê nossa liga é tão desvalorizada em relação a outras ligas e os motivos pelo qual isso acontece.

Tendo em vista que um dos principais fatores que motiva patrocinadores e dissemina o esporte é o público, nossa primeira preocupação teria que ser atender as exigências deles, fato que raramente acontece. 
Será que na liga com maior sucesso estrutural e financeiro do mundo se preocupam com o público? O que a tornou a melhor liga do mundo?

Criada em 1989, a Liga Nacional de Futbol-sala (LNFS) é reconhecidamente a liga de futsal mais organizada e bem sucedida do mundo. Hoje em dia conta com três divisões: DIVISÃO DE HONOR – Estão as 16 melhores equipes do país. Os dois piores colocados são rebaixados para division de plata.

DIVISION DE PLATA – Conta com 47 equipes divididas em três grupos. Os dois primeiros colocados sobem para a divisão de honor e os três últimos de cada grupo caem para a primera nacional “A”.

PRIMERA NACIONAL “A”- Esta dividida em nove grupos com numero variado de equipes de temporada para temporada. As três primeiras equipes de cada grupo disputam a divison de plata no ano seguinte desde que atendam requisitos estruturais e financeiros mínimos exigidos pela organização.

Impressionante não é mesmo? Ainda mais se pensarmos que no Brasil sofremos para fechar a liga com 17 equipes e não se utiliza critérios técnicos para ocupação das vagas.

Como ligas que tem apenas 7 anos de diferença entre os anos de suas criações, já que a Liga Nacional Brasileira (LNF) foi criada em 1996, estão em 2017 tão distantes do ponto de vista estrutural e financeiro? Seria sorte, momento econômico dos países ou pensamento estratégico logico para disseminação e massificação do esporte?

Em 1989 quando a Liga Espanhola foi criada, ela não foi sucesso de público nem nos ginásios e muito menos nas transmissões de televisão. Tratava-se de um esporte novo no ponto de vista do grande publico e para seu sucesso, foi necessário pensar em estratégias para disseminação e popularização do esporte.

Num primeiro momento foram utilizadas estratégias como a transmissão de jogos pela televisão em horários acessíveis e a “importação” de grandes craques da modalidade, nessa época a maioria esmagadora de Brasileiros. Isso ajudou durante algumas temporadas mas não sutil o efeito esperado,  sendo assim houve uma segunda estagnação do processo evolutivo do esporte no pais. Foram pensadas novas estratégias para um novo aumento efetivo de público interessado em futsal.

A primeira pergunta que os organizadores da Liga Espanhola se fizeram, foi: Quem é o consumidor final do produto Futsal? Pois qualquer produto para ser sucesso tem que agradar e suprir as exigências do seu consumidor final e de ninguém mais. Chegou-se a conclusão que o consumidor final é o publico.

O segundo ponto de reflexão foi: O que o público quer assistir? A resposta foi simples, o publico quer assistir um jogo dinâmico (principal característica do esporte), com as duas equipes querendo o jogo.

O terceiro ponto de reflexão foi sobre os pontos estruturais dos ginásios, como: Arquibancadas, segurança, enfim um evento agradável que motive a ir com as famílias.

A partir desses três pontos de reflexão , analisando e discutindo, foram tomadas decisões que geraram enorme diferença de padrão entre a Liga Nacional Espanhola e a Liga Nacional Brasileira. Para explicar essas medidas vou dividi-las em dentro de quadra (questões pertinentes a qualidade do jogo) e fora de quadra (questões pertinentes a organização do evento).

DENTRO DE QUADRA: Já que o publico queria dinâmica, se discutiu num primeiro momento o motivo da falta de dinâmica, em alguns jogos, e se percebeu que no jogo de futsal “onde um não quer, dois não jogam”. Notou-se que em jogos onde uma equipe utiliza a estratégia de defender em linhas mais recuadas, acontecia uma diminuição drástica na velocidade do jogo, fazendo com que o mesmo perdesse em dinâmica e por consequência desagradasse ao publico.

Foram feitas reuniões técnicas para debater o tema, explicar, ponderar, enfim pedir para todos pensar no macro (modalidade) em primeiro plano. Foram abordadas questões como: O que é melhor? Perder jogando ou quase ganhar acuado?

Disputar querendo ser o melhor ou evitando ser o pior?
O nosso comprometimento deve ser com o resultado ou com o jogo?

Realizadas algumas reuniões técnicas e com o fim de mais uma temporada que não atingiu as metas propostas, observou-se que nas reuniões todo mundo se comprometia com o macro, porem ao mínimo sinal de que o resultado não viria a grande maioria dos treinadores retrocedia e voltava a usar as velhas estratégias, numa reação instintiva para proteger seu emprego.

Avaliando esse novo ponto de reflexão, eis que surge, sob meu ponto de vista, a tacada de mestre, o empurrão que faltava.
Através, mais uma vez, do pensamento fundamentado e logico, pautado no efeito cascata e hierárquico do aporte financeiro dentro do esporte, se estabeleceu que quem sustenta uma equipe e futsal é o patrocinador, que por sua vez quer a exposição de sua marca e quem expõe sua marca é a televisão, BINGO!!! Essa será a maneira de fazer os treinadores “entender” que o jogo precisa de dinâmica.

Após estabelecer a sequencia de pensamento logico descrita acima, se encontrou finalmente a maneira de fazer os treinadores “entender” que o publico quer dinâmica (principal característica do esporte): A transmissão de televisão. 

Já que não se podia mexer nas regras do jogo e marcar baixo é uma estratégia viável dentro do esporte, foi estabelecida uma “regra” não oficial: Equipe que marca baixo não terá seus jogos transmitidos pela televisão! GENIAL!!!

A partir desse momento de “entendimento” que o publico quer dinâmica se deu o “BUM” da Liga Espanhola, tanto nas questões financeiras e estruturais como nas questões técnicas e táticas, pois o nível da disputa elevou, treinadores de equipes “menores” tiveram que tentar jogar de igual para igual (e conseguiram), todos cresceram demais colocando a Liga sob o ponto de vista tático, alguns degraus acima das demais e sendo o sucesso que é hoje sob todos os aspectos: Ginásios repletos de famílias e crianças; A LNFS é a liga de futsal transmitida no maior numero de países e através da venda dos direitos televisivos (que são divididos entre os clubes) as equipes crescem cada vez mais.

FORA DE QUADRA: Com o problema do nível do jogo solucionado se atentou para o fato de que nosso esporte tem por característica de publico prioritário famílias. Um fator determinante para o crescimento de qualquer modalidade é a paixão da criança pelo esporte, logo criar um ambiente de respeito, acima de tudo seguro e agradável para as famílias, bem como utilizar ações promocionais junto as crianças não só nos ginásios mas também a fim de trazê-las para o jogo, seriam pontos chaves para ginásios lotados.

A primeira solução foi colocar como clausula contratual aos atletas a obrigação de visitas guiadas as escolas do município onde a equipe esta inserida, fomentando o esporte e trazendo as crianças para os ginásios. Aliado a isso surgiu a padronização dos ginásios, ou seja, não importa se o time é de grande, médio ou pequeno porte, da periferia ou da capital, todos teriam que possuir requisitos básicos para receber um jogo da LNFS.

Desde então todos os ginásios possuem cadeiras numeradas, onde o ticket só é valido para o assento que foi adquirido, os ginásios possuem espaço kids com recreacionistas do clube mandante e campanhas promocionais no pré-jogo que trazem as crianças para quadra (sendo muitas vezes esse o motivo principal das crianças levarem seus pais aos jogos), os jogos começam exatamente no horário marcado, nem antes, nem depois, contando com o cronometro do placar para o controle do horário, bares muito bem equipados, limpos e com preços tabelados, visibilidade total da quadra (pontos cegos, quando existem, não são comercializados), ambiente sempre muito bem higienizado e bonito, nada sujo ou descascado, enfim respeito ao nosso cliente final.

Será que é coincidência o abismo entre as duas ligas?

Guilhermo Petrucci Verfe

Guilhermo Petrucci Verfe, treinador de Futsal, 33 anos. Licenciado e Bacharel em Educação Física pela Universidade Luterana do Brasil – ULBRA (CREF – 009251-G/RS). Especialista em Ciências aplicadas ao Futsal e Futebol de Campo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS

Habilidades complementares:

Analise do desempenho – Video Observer e Futsal Stat

Edição de Vídeos – Tactical Pad, Movie Maker e Adobe Premier

Controle do treinamento

Idiomas - Fluente em Espanhol

Formação complementar:

2003 – Preparação Física para o Esporte – GF Eventos

2003 – Treinamento de Futsal no Alto Rendimento – GF Eventos

2010 – Metodologia do Treinamento de Futsal – Joinville Futsal

2014 – Estagio para Treinadores de Futsal - JEC/KRONA

2015 – Futsal da Base ao Alto Rendimento – Unisport Brasil

2016 – Sistemas ofensivos do jogo 4-0 e 3-1 – Futbol – Tactico

2016 – A formação do jogador inteligente – PRONEO

2016 – Fórum Nacional para treinadores de Futsal – Unisport

2017 – Estagio no El Pozzo – Murcia Espanha

2017 – Estagio no Marfil Santa Coloma – Santa Coloma Espanha

2017 – Estagio no Movistar Inter – Madrid Espanha

2017 – Estagio no Barcelona – Barcelona Espanha

2017 – Estagio na Seleção Brasileira – Barcelona Espanha

Nos cursos citados acima foram acumulados experiências e ensinamentos dos professores João Carlos Romano, PC de Oliveira, Ferretti, Marcos Soares, Andreu Plazza, Joaquin Martin, Duda, Oscar Redondo, Jesus Velasco, Chicho, Cidão, Marquinhos Xavier e Bie.

Atuação profissional:

Esporte Universitário da Universidade Luterana do Brasil – ULBRA – CanoasRS

Acadêmicos da bola – CaxiasRS

Clube Atlético do Vale – ParobéRS

SapucaienseSot Log – Sapucaia do SulRS

Milionários – CachoeirinhaRS

Município de Canoas – CanoasRS

Associação União – PortãoRS

Município de Campo Bom – Campo BomRS

Unidos da Campina – São LeopoldoRS

Associação Guaibense de Futsal – GuaíbaRS

Associação Ibirubense de Futsal – IbirubáRS

Associação Tubaronense de Futsal – TubarãoSC

Conquistas coletivas:

Bi-Campeão da Copa Mercosur de Universidades – 2006 e 2007

Campeão da XIX Copa Independência – 2008

Campeão do Intermunicipal de Ararica – 2012

Campeão da Copa dos Campeões – 2012

Campeão da Copa Lavoiser – 2013

Campeão da Copa Sapucaia – 2013

Campeão da Copa dos Campeões de Esteio – 2013

Campeão do Aberto do Soberano – 2013

Terceiro Lugar no Estadual Serie Prata – 2013

Campeão da Copa World Ball – 2013

Vice-Campeão do JIRGS – 2013

Bi-Campeão Municipal de Portão – 2013 e 2014

Vice-Campeão do JIRGS – 2014

Campeão do Aberto de Dois Irmãos – 2014

Campeão da seletiva para a Copa dos Campeões – 2014

Campeão da Copa dos Campeões – 2014

Campeão do Estadual Serie Prata – 2014

Vice-Campeão da Super Copa dos Campeões – 2014

Vice-Campeão da Copa Alto Jacuí – 2015 e 2016

Quinto lugar no Estadual Serie Ouro – 2015

Quarto lugar no Estadual Serie Ouro – 2016

Campeão da Copa dos Campeões - 2017

Conquistas individuais:

Melhor treinador da Copa Sapucaia – 2013

Melhor treinador do Aberto do Soberano – 2013

Melhor treinador do Municipal de Portão – 2013 e 2014

Melhor treinador do Rio Grande do Sul – 2016

Integrante da equipe técnica da revista Futbol-Tactico - 2017

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