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O resgate do Futsal

09 de Outubro de 2017
O resgate do Futsal

Casa é sempre cheia nos jogos em Cerro Largo. Foto: divulgação Cerro Largo

Nada melhor para uma comunidade que ama futsal do que saber que “sábado tem jogo”. Salvo raras exceções, o Estadual Série Prata e Bronze são os campeonatos onde isso, de fato, acontece. E tem que ser assim, afinal, é no final de semana que os torcedores podem, em sua maioria, lotar o ginásio e desempenhar o papel do “sexto jogador”.

Enquanto a Série Ouro (hoje Liga Gaúcha, ou Liga Ouro) ainda tem que lidar com a agenda da LNF, fazendo com que seus jogos (justo os mais emocionantes, com os times da Liga) sejam transferidos para dias de semana, as duas divisões debaixo ostentam uma liquidez invejável na sua agenda de partidas, que, sem interrupções, podem ter seus jogos em sequência.

Mas neste meu primeiro artigo no Blog do Sandro me detenho especialmente no Estadual Série Bronze, competição que hoje tenho a felicidade de poder acompanhar de perto por meio da assessoria do Cerro Largo Futsal/Lojas Becker. Apesar de o time ter adentrado na Bronze apenas em 2016, também acompanhei a Terceira Divisão em 2014, o ano de seu retorno, após sete anos sem ser disputada. Naquele ano de 2014, quando viajava no mesmo ônibus que o pessoal da estreante ABELC de Boa Vista do Buricá (hoje integrante da Liga Ouro), deu para ter uma impressão do que vinha por aí...

Só para começar, o título da Bronze 2014 foi disputado por duas equipes que nunca antes haviam jogado o Estadual: ABELC e União de Nova Petrópolis. Mais: não foram duas equipes que subiram para a Prata no ano seguinte. Foram seis! No ano de 2015, já de volta à minha São Luiz Gonzaga para acompanhar aquele que (infelizmente) seria o último ano da AGSL na Ouro, deixei a Bronze de lado, mas não me fugiu o fato de que, na transição 2015/2016, mais seis equipes da Bronze acabaram ingressando na Prata!

Hoje a Prata é disputada por 12 times, exatamente o mesmo número de equipes que subiu da Terceira para a Segunda Divisão apenas nos dois primeiros anos da Bronze, ocupando lugares de clubes da Prata (e até da Ouro) que caíram ou fecharam as portas. O que isso significa? Para mim é um processo de seleção natural, onde sobrevivem as gestões mais estruturadas e que conseguem captar mais apoio em suas comunidades, o que acaba qualificando o futsal. Mas ainda há mais para se acrescentar...

Por se tratar de um campeonato onde não há rebaixamento e envolver clubes com orçamentos mais modestos do que uma Prata, a Bronze acabou por instigar muitos entusiastas do futsal a reascender uma chama que há muito estava apagada em suas comunidades ou mesmo inovar, lançando em âmbito estadual um município que antes havia disputado no máximo uma Taça RBS. Isso resgatou o futsal em muitos municípios e elevou a Bronze ao patamar de campeonato com mais equipes entre todos os outros organizados pela Federação Gaúcha de Futebol de Salão.

Pela campanha do Cerro Largo e pelo índice de acessos da Bronze para a Prata, não sei qual competição acompanharei em 2018, mas esses poucos anos na cobertura da Bronze já me deram a certeza que ainda vem muito mais novidades por aí. Cabe aos gestores do nosso futsal conduzir esse campeonato da melhor maneira possível, para que todos os benefícios da Bronze sejam bem distribuídos e rendam muito mais ao nosso futsal.

Genaro Caetano

Jornalista (MTB 17363/RS), proprietário da empresa Associados Mídia e Comunicação, responsável pela redação da Rádio São Luiz, de São Luiz Gonzaga, e da assessoria do Cerro Largo Futsal/Lojas Becker, de Cerro Largo.

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