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Panelas e rivalidades

15 de Dezembro de 2017
Panelas e rivalidades

Imagem ilustrativa. Foto: Genaro Caetano/Associados

O assunto que dá nomes a este artigo já diz muita coisa por si só. Estas palavras, principalmente "rivalidadades" remetem à disputa por equipes, seja dentro de campo, quadra ou até mesmo em outros quesitos, como estatísticas e prestígio dentro do Estado, País ou Mundo. Aqui, em nosso recanto gaúcho, essa palavra, agregada ao esporte, frequentemente nos faz lembrar da rivalidade Gre-Nal, sendo também aquilo que faz os dois clubes serem gigantes.

Realmente, deixando de lado as brigas e discussões sem sentido, a rivalidade que existe entre dois times faz com que ambos se desenvolvam e fiquem em uma constante busca pelo aperfeiçoamento. Esse é um lado bom dessa palavra, porém, não é dessa rivalidade que trata o presente texto.

Procuro neste espaço tratar de uma rivalidade que, muitas vezes, impede que o futsal se desenvolva nos municípios que embarcam na disputa de um campeonato estadual. Por vezes já tivemos cidades sendo representadas no Gauchão por duas equipes distintas, isso na mesma divisão. São duas agremiações disputando um espaço de representação em nível estadual, onde toda uma comunidade deveria se unir em prol de um objetivo comum.

Se formos pensar que, para uma cidade que ainda briga por ter uma representação forte no salonismo estadual, é preciso montar um time forte, ter duas equipes com as mesmas pretensões vai na contramão desse objetivo. Óbvio que nunca sabemos até que ponto vão as rusgas entre dois grupos com iniciativa de montar um time para jogar um estadual dentro de uma cidade, mas se formos pensar em tudo que demanda a divisão de uma cidade para dois times de futsal, é muito bom pensar nos benefícios da fusão.

Algumas cidades até têm mais de um ginásio para dividir, mas e se os dois times tiverem equipes de base no futuro? Como pude constatar em entrevista recente com o presidente Claudemir de Oliveira, do União de Santa Maria, já é difícil organizar o cronograma para um clube com seus times adultos e de base. Imagina com mais de um. Mas ainda não falei do pior: se arrumar patrocínio para um time já é complicado hoje em dia, o que dizer de uma comunidade com mais de um time, disputando a mesma competição? Esses são apenas dois exemplos, mas acredito que suficientes.

Como já falei, às vezes não sabemos a real extensão da rivalidade dos grupos esportivos dentro de uma comunidade. É possível que até o próprio clube que atualmente joga o Estadual, por ser muito fechado (e aí entramos no assunto “panelinha”), estimule a concorrência a agrupar novos dirigentes e lançar um time novo. Por essa razão é necessário que as equipes que hoje representam seus municípios sigam promovendo peneiras e dando oportunidades aos talentos locais, além de ouvir (na medida do bom senso) os comentários e conselhos de pessoas de fora, desde que tenham realmente a pretensão de ajudar.

Com um trabalho voltado para a comunidade, talvez com a superação de algumas diferenças pessoais, é possível montar uma equipe que represente muito bem as aspirações de toda uma comunidade em nível estadual. A própria ACBF de Carlos Barbosa é um exemplo dessa superação de diferenças entre dois grupos locais que se reuniram para formar o maior campeão do futsal brasileiro. Também cito exemplos mais recentes, como Lagoa Vermelha e Alvorada. 

Para não estender muito o assunto, gosto sempre de lembrar de uma ocasião onde viajei com um dos times que já acompanhei pelo Estado. Em um jogo fora de casa, perdemos para o time mandante. Na hora da janta, quando já estávamos sentados para comer, veio o garçom e perguntou quanto tinha sido o jogo. Ao saber que havíamos perdido para o time de sua cidade, o rapaz resmungou qualquer coisa e arrematou com “tinham que ganhar, aquilo lá é uma panela só”. Impossível não achar graça na hora. Acho que tem gente querendo mais espaço por aí... 

Genaro Caetano

Jornalista (MTB 17363/RS), proprietário da empresa Associados Mídia e Comunicação, responsável pela redação da Rádio São Luiz, de São Luiz Gonzaga, e da assessoria do Cerro Largo Futsal/Lojas Becker, de Cerro Largo.

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