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Jorginho: O caminho atÚ o topo mundial.

28 de Junho de 2019

Um dos maiores de sua geração, campeão e melhor do mundo em 1992, citado como "titular" no time de todos os tempos por Falcão, o craque Jorginho conta sua história com riqueza de detalhes para o Blog do Sandro.

- Aos 50 anos de idade, em outubro eu comemoro 42 deles no futsal. Comecei aos 9 anos de idade, fui descoberto em uma segunda-feira à noite, jogando na rua, no Rio de Janeiro. Um olheiro me viu e me levou ao Piedade, pouco depois fui ao Mackenzie e me destaquei, sendo contratado pelo Bradesco, que era a grande equipe da época. Lá sim vi que aquilo ali estava se tornando minha vida e todo dia de treino eu lembrava que quando treinava de pés descalços, eu era ironizado, "molecada" ria de mim. Então eu ia pra quadra e respondia todos eles lá, jogando. Em toda dificuldade, eu lembrava que já havia treinado sem tênis e aquilo me fortalecia.

Após se destacar no Bradesco, Jorginho recebe a chance no Sul, onde reside até hoje.
- Aos 18 anos cheguei ao Grêmio e aí ao chegar no Sul, vi que aqui era diferente. Mesmo assim, rodei bastante. Joguei em SP, MG, CE e SE. 

Em Caxias do Sul, o auge. Ao lado de outros tantos craques, Jorginho atuou 7 anos na poderosa e inesquecível Enxuta.
- Enxuta foi demais. Até hoje sou conhecido como Jorginho Treze (J13) da Enxuta, mesmo tendo atuado por 10 anos fora do país (Rússia, Espanha e Arábia Saudita) e eleito melhor do mundo em Hong Kong. Se saio nas ruas, a primeira lembrança do torcedor é da minha época na Enxuta, vencemos tudo que tinha para vencer, era uma equipe maravilhosa.

Com 15 anos de seleção brasileira, J13 se diz realizado, mas faltou uma taça e ele justifica o motivo.
- Irmão, só não venci a Liga Nacional, mas porque não joguei (risos).

Residindo em Parobé, o agora treinador, também coordena um projeto social.
- Temos o Projeto Social Jorginho13 - Cidadão sem Diferença - onde em três cidades, mantemos 4 núcleos em funcionamento e atendemos mais de 200 crianças. Algumas com deficiência, outros que estavam em situação de rua e na enorme maioria, menino e meninas de bem que precisavam apenas desta oportunidade. Com muito orgulho, no ano passado todos eles passaram de ano na escola, esse é meu maior orgulho neste momento que vivo. E eles sabem, precisam não apenas estudar, mas tirar notas boas, senão fica sem treinar. Hoje temos 4 guris no Novo Hamburgo e 2 no Internacional, mas a maior glória e vitória é saber que estamos construindo verdadeiros cidadãos de bem.

Questionado sobre o que motivou sua pessoa a se engajar em projetos sociais, Jorginho foi direto ao ponto.
- Minha família. Eu sei o que é passar dificuldade. Meu pai era mestre de obras e minha mãe lavava roupa para 18 famílias. Éramos cinco irmãos dormindo em uma cama e meus pais dormindo no chão. No meu primeiro contrato, comprei uma casa pra minha mãe, com tv, com todo conforto. Minha rainha merecia e isso com certeza pode acontecer com alguns destes meninos, eles podem vir a fazer o mesmo em casa.

Melhor que fazer história, é contar as mesmas e Jorginho citou algumas.
- Cara, vou contar uma na Rússia. Temperatura estava em -15° e a gente jogando. Quando o barulho de uma sirene toca e saem todos correndo, olhei para um brasileiro que jogava comigo e falei. 'Vambora irmão, aí tem coisa". Saímos de roupa de jogo naquele frio e era ameaça de bomba, a gente tava congelando. Aí o intérprete deu seu casaco e amenizou um pouco. Foi um grande susto, tanto pela bomba como pelo frio. Outra história bacana foi quando joguei na seleção do mundo, fui cercado por russos e eles aplaudiam, tiravam fotos e queriam minhas roupas...foi difícil a situação, mas muito gratificante. O reconhecimento mundo a fora é demais.

Finalizamos com a seleção ideal do mestre Jorginho.
- Na minha humilde opinião o melhor de todos foi o Lenisio. No gol o Serginho - meu melhor amigo no futsal - Aí botamos o Falcão nessa seleção também, o Douglas e o Manoel Tobias, que além de craque, foi um cara que me ajudou muito , quando tive envolvimento com as drogas, ele tem a palavra e sabe usar, sou eternamente grato à ele. Citaria também o Fabinho e o Carlos Alberto que foram importantes quando eu estava subindo do juvenil.

Pra fechar: Mensagem do J13.

"Construí minha história com os pés, futsal é tudo na minha vida. Meu ar, meu respiro, meu café, meu almoço, meu jantar e ainda um lanchinho na tarde". 

Jorginho nesta semana acertou com o Rabelo de Alvorada e irá comandar a equipe durante a Série Ouro Gaúcha.

 

Deive Gessinger

2013 - Toda Cancha
2015 - Toda Cancha e Rádio Palmeira
2016 - Esportche e Sucesso FM
2018 - Folha do Noroeste  e A Madrugada
2019 - Sucesso FM, A Madrugada e Esportche.

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