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Dani, Passo Fundo tem condiš§es de ter dois times de futsal?

15 de Fevereiro de 2019
Dani, Passo Fundo tem condiš§es de ter dois times de futsal?

Foto: DivulgašŃo

A confirmação de que Passo Fundo teria mais um representante no futsal gaúcho dividiu opiniões na cidade: de um lado, os defensores do fomento ao desenvolvimento da modalidade; de outro, a incerteza acerca da viabilidade de estruturar dois clubes em competições estaduais. O fato é que, nos próximos meses, a terra eternizada na música de Teixeirinha será palco de jogos da Liga Gaúcha (Série Ouro) e Liga Gaúcha 3 (Série Bronze). E quando a bola rolar, haverá espaço para todas as camisas e todos os gritos de gol. 

Na elite gaúcha, o atual campeão da Série Prata já confirmou os componentes de seu elenco e de sua comissão técnica. O Ginásio Capingui, casa do Passo Fundo Futsal, está sendo reformado para comportar as partidas históricas que a equipe terá pela frente. O City Futsal, por sua vez, segue trabalhando nos bastidores para completar o plantel e definir o comandante da área técnica, além de capitanear recursos que deem suporte ao projeto. Trajetórias distintas, desafios particulares, propósitos em comum. 

Tão logo o City confirmou sua participação na Liga Gaúcha  3, recebi várias mensagens de torcedores com a seguinte pergunta: Passo Fundo tem condições de ter mais um time de futsal? A cada nova publicação, entre um comentário e outro, surgiam argumentos favoráveis e contrários. A maioria deles envolvia a disponibilidade de recursos financeiros (leia-se: empresas dispostas a patrocinar a ideia, já que futsal não se faz só com amor à camisa) para subsidiar a empreitada. Sabedora das dificuldades enfrentadas pelos clubes passo-fundenses, até mesmo no futebol, ratifico a preocupação. Não concordo, no entanto, que o surgimento de uma nova agremiação signifique o enfraquecimento da modalidade – como alguns internautas chegaram a sugerir. Sou aquela cujos olhos enxergam o crescimento do esporte com otimismo e não com desconfiança. E isso não só dentro, mas também fora das quadras.

Já explico: se eu fosse uma pessoa que enxerga a “concorrência” (e emprego aqui esse termo deslocado de seu sentido literal, apenas pela falta de outro melhor) como um prejuízo, o Dani Freitas Esporte Clube sequer existiria. Quando criei o blog em 2015, já havia outros tantos veículos de comunicação que cobriam o esporte na cidade: empresas consolidadas, tradicionais, estruturadas, conhecidas pelo público. Minha pretensão nunca foi superá-los. Ciente das minhas limitações (de tempo, de recursos, de materiais), eu só queria fazer o que eu amo: escrever sobre esporte. Contar a história de um jogo sob uma perspectiva diferente. Narrar uma partida. Criar um espaço para que as pessoas que gostam do meu trabalho no esporte pudessem acompanhá-lo com mais frequência. E quem começou a acessar o meu blog ou a minha página no Facebook não deixou de ser ouvinte das outras rádios nem de ler os jornais da cidade. Em síntese: o restante da imprensa não perdeu audiência nem patrocínio porque eu comecei a trabalhar com o esporte. 

Eu busquei o meu lugar, criei o meu público, sem tirar nada de ninguém. Quem gosta do veículo A continuará prestigiando o veículo A, mas isso não impede que essa pessoa, se quiser, também acompanhe o veículo B. Uma opção não exclui a outra. E sei que, em tempos de polaridades acentuadas e de extremismos, isso pode parecer difícil de acreditar. A pluralidade de vozes, a meu ver, só tem a somar.

Quantos mais veículos cobrindo, fotografando, transmitindo, para mim, melhor. O esporte passo-fundense agradece.
“Mas, Dani, com relação a clubes, o buraco é mais embaixo. E se os jogos dos dois times forem no mesmo horário? Um deles vai perder público”. Pode ser que sim. Pode ser que não. Só o tempo poderá dizer. O que posso garantir é que não estarei no time dos que torcem pelo fracasso. Não há pecado algum em querer fazer o que se ama e em buscar o seu próprio espaço. De minha parte, sempre haverá empenho em divulgar informações sobre as equipes da minha cidade, em estar presente nos ginásios, em mobilizar as torcidas para que apoiem os clubes. Vale lembrar que, para tecer críticas, positivas ou negativas, é preciso conhecer a realidade sobre a qual se fala. E já antecipo: fazer o esporte acontecer no interior do estado demanda coragem, muita coragem. 

 

Dani Freitas

 Jornalista formada pela Universidade de Passo Fundo (UPF). Atualmente, cursa a faculdade de Letras na mesma instituição e também é pós-graduanda em Jornalismo Esportivo pela Uninter. Autora do blog Dani Freitas Esporte Clube, ela acompanha os times de Passo Fundo e região. 

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