Artigos / Cleobio Bastos

futsal: Nosso futuro em risco?

22 de Abril de 2019

Acompanhei in loco, no inicio do mês de abril, a 11ª edição da Taça Brasil de Futsal, categoria sub-17, em Recife, capital pernambucana. Onze equipes, de dez estados brasileiros, apresentaram suas forças para os admiradores do futsal. E para mim, sempre preocupado com o futuro da nossa modalidade, uma bela oportunidade de verificar o que as principais escolas do futsal brasileiro e o que elas estão vislumbrando para o futuro.

Como grande crítico que sou, não observo apenas o que se ver dentro de quadra. As amizades que criei no mundo do futsal, permite também observar o que a grande maioria não consegue enxergar no nosso esporte, os bastidores. Estrutura, organização, staff, dentre outros aspectos fora de quadra pude presenciar durante uma semana de competição nacional.

A tônica da modalidade reflete muito a realidade do futsal brasileiro. Encontramos nesta competição três classes de realidades. Da inferior para a superior, vamos elencar as características de cada uma.

As dificuldades de logística e falta de apoio local, além do intercâmbio escasso com os grandes centros do futsal nacional, refletem a realidade de um grupo menos favorecido no futsal brasileiro, que observa num momento como a Taça Brasil, um abissal choque de realidade. E tal situação acaba sendo refletido nos resultados, com derrotas, com alta margem de gols.

Num patamar imediatamente acima, encontramos estados em que possui em seus atletas uma grande qualidade no futsal, que buscam numa competição nacional como esta, a última oportunidade de seguir na carreira de atleta de futsal, devido a falta de apoio e patrocinadores nas categorias acima (sub-20 e adulto). Observamos, especificamente na região nordeste, que os pais participam diretamente deste aporte financeiro, pois ainda acompanham lado a lado a rotina dos filhos-atletas. Em outro caso, também muito recorrente, os melhores atletas do futsal acabam migrando para o futebol, com a esperança de seguir a carreira promissora que o futsal não oferece.

E numa prateleira superior, encontramos as grandes estruturas. Clubes que possui um corpo técnico e diretivo com profissionais com bastante conhecimento e selecionam em todos os cantos do Brasil, os melhores atletas da categoria. Encontrei nesta Taça Brasil, um exemplar deste grupo, a equipe do Praia Clube, da cidade de Uberlândia (MG). Uma estrutura física fantástica, uma logística bem feita, um staff técnico que soube bem trabalhar os seus atletas, que desempenharam uma campanha irretocável, com sete vitórias em sete jogos.

Tamanha superioridade reflete também uma grande preocupação para as futuras gerações do futsal brasileiro. Estamos observando cada vez menos nas categorias de base, jogos com nível de exigência alto, o que prejudica muito o desenvolvimento dos atletas até chegar a categoria adulta. Nada contra os clubes que trabalham com excelência, muito pelo contrário. A preocupação maior está na luta que devemos ter diariamente para manter os melhores atletas disputando as melhores competições, o que garante níveis de exigência cada vez maior e consequentemente, maior qualidade para as futuras gerações de atletas do nosso futsal.

Sabemos que o produto futsal é barato e rentável se comparado a outros tipos de ações que a iniciativa privada faz de investimento. Um lindo exemplo que tivemos neste mês de abril, foi a veiculação de uma competição de futsal feminino numa emissora de TV fechada e a repercussão positiva da mesma. Nossa luta não pode parar e precisamos muito da ajuda de todos para fazermos nosso futsal cada vez mais forte.

À luta e avante, salonistas!!

Cleobio Bastos

Treinador de Futsal
Especialista em Administração e Marketing Esportivo. 
 

Mais Artigos

    Aguarde, buscando...